20 de setembro de 2016 Viviane Nishiura

Tem filho e não tem emprego?

Sometimes it's possible to have it all

Este texto é para as mulheres. As empresas costumam ver com bons olhos os pais, acreditam que eles terão mais comprometimento e responsabilidade no trabalho pelo fato de terem filhos. É, em geral, um ponto a favor para os homens.

E sem hipocrisia. É, em geral, um ponto contra para as mulheres em um processo de seleção. Esta é uma de nossas brigas cotidianas como profissionais de RH: “vender” boas candidatas com filhos pequenos para os gestores.

Por que isso acontece?

– As mães acham seus filhos importantes: muitas empresas ainda não entenderam que a família e a qualidade de vida de um funcionário são fundamentais para seu desempenho no trabalho.

– As mães, às vezes, podem ter que se ausentar por causa do filho: empresas ainda se preocupam com qualquer minuto em que o funcionário não está no horário em que é pago para estar, independentemente do quanto seu desempenho seja bom e do quanto seu trabalho não esteja vinculado à hora em que é realizado.

– As mães ficam preocupadas com seus filhos: chefes ainda acreditam que mulheres não são capazes de raciocinar se seus filhos estiverem gripados.

Com quem isso mais acontece?

Mães jovens (menos de 30 anos) com mais de um filho
são as que mais sofrem para arrumar uma recolocação:

– As crianças ainda são pequenas, a maioria com menos de 10 anos de idade, e demandam maiores cuidados.

– As avós ainda são jovens e provavelmente trabalham, por isso não podem ajudar a cuidar dos netos.

– As candidatas ainda estão no começo da carreira, geralmente não possuem estrutura financeira e familiar como as mais velhas e com carreira mais sólida.

Quando e como isso melhora?

– Quando sua criança mais nova tiver 10 anos.

– Quando você tiver mais de 30 anos e estrutura para contratar uma babá, ou se seu filho tiver uma avó aposentada que se disponibilize.

O que uma mãe jovem com mais de um filho pode fazer para se recolocar?

– Você precisa ser melhor do que as candidatas concorrentes. Diferente de outras candidatas, você vai ter que provar que vale a pena ser contratada APESAR de ter filhos. Então, prepare-se bem profissionalmente. Se você tem um filho pequeno e não trabalhou desde que ele nasceu, uma boa dica é fazer cursos grátis online, e estudar um pouco o mercado, ver notícias relacionadas à sua área. Estar bem informada vai impressionar o recrutador, e o hábito de estudar sozinho quando se está desempregado é muito valorizado.

– Você precisa transmitir confiança na estrutura familiar.
O selecionador vai te perguntar como você vai estruturar, ou como você já concilia sua vida com seu filho e seu trabalho. Seja seu esquema qual for, explique de forma bem clara, para que o selecionador sinta segurança da sua parte em deixar seu filho para ir trabalhar. Mostrar que confia no próprio esquema e que está tranquila com isso vai convencer o entrevistador de que você está organizada, pronta e com vontade de voltar para o mercado.

Estamos em um momento de transição de valores e posturas no mundo corporativo, e essa questão das mães que trabalham ainda não está totalmente resolvida. Até que isso aconteça, desejo que as funcionárias com filhos sejam cada vez mais produtivas, essenciais e boas mães de família. É possível ter tudo.


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