14 de março de 2017 Viviane Nishiura

Só o medo vai te fazer perder o emprego para uma máquina

Quem é da geração dos boomers vai lembrar do horror que foi quando os primeiros computadores chegaram às empresas para realizar funções não mais tão específicas, e sim administrativas. Lembro muito bem dos meus pais, tios, avós, amigos deles, vizinhos, todo mundo comentando com desgosto que esses tais computadores iam tirar muitos empregos, que essas máquinas faziam o trabalho de 3 ou 4 pessoas, e que iriam tomar o lugar do ser humano.

Agora que a maioria está fora do mercado, olham pra gente com pena quando veem notícias e artigos sobre o uso da inteligência artificial.

É muito engraçado, mas eles mesmos não perceberam que têm seu notebook, seu tablet e seu smartphone. Colocar “Word e Excel intermediários” no currículo, hoje, é quase desnecessário, pois saber isso é equivalente a ser alfabetizado no mundo corporativo, é o mínimo.

NÃO SABER O PACOTE OFFICE É O MESMO QUE SER ANALFABETO NO MUNDO CORPORATIVO

Alguém discorda? Você contrata alguém hoje, a quem você tenha que ensinar a entrar no Word e digitar uma carta? Ou trocar um valor em uma célula de Excel?

Há pouco mais de 20 anos, colocar isso no currículo era lindo. Chique. Moderno. E ainda mostrava, das duas uma: ou que você já tinha trabalhado em uma empresa muito top tecnologicamente, ou que você ou sua família tinham dinheiro pra ter um computador em casa.

Essa onda veio e ainda estamos boiando nela, uns mais que os outros, mas ninguém se afogou. Bancários (minha mãe era bancária, quase teve uma síncope de alegria quando se aposentou minutos antes de entrarem forte com tecnologia) aprenderam a lidar com as belezinhas, e hoje rolam de rir quando alguém como minha mãe conta pra eles como ela o controle de extrato de um cliente. À mão…

Alguém viu bancos encolherem seu número de funcionários porque informatizaram tudo?

Eu vi indústrias trocarem pessoal quando compraram máquinas para a produção. Vi mesmo, precisavam de pessoas que as operassem. Demitiram quem não sabia.

Isso também aconteceu numa onda.

E o que aconteceu no chão de fábrica? SENAI, SENAC e um monte de outras escolas, e um inchaço nos cursos de engenharia. Foi isso o que aconteceu. As pessoas começaram a procurar desenvolvimento, foram estudar. Foram aprender a operar as máquinas, e aprendem o tempo todo, porque a tecnologia troca tudo muito rápido.

Falei esses dias com um funcionário de 60 anos que trabalha há mais que 40 na mesma fábrica, na área de produção. Perguntei o que ele achava da tecnologia. Ele disse: “É maravilhoso! No meu tempo, demorávamos muito mais para produzir um caderno, nos machucávamos muito mais também. Ainda tinha a limpeza do produto, da máquina. O cheiro. Hoje tudo é muito diferente, mais limpo e seguro”.

A única coisa que a inteligência artificial vai roubar é o subemprego. Como ela é fantástica, e portanto, cara, ela ainda deve demorar um pouco a se espalhar como um PC. Esse é o timing para as novas gerações levarem suas carreiras para outro lado.

Tarefas repetitivas, riscos à saúde, insalubridade, riscos de erros, estagnação. Tudo isso vai ser minimizado. As máquinas vão tomar nosso trabalho em lugares que não deveríamos estar. Vão fazer a chatice e correr os riscos em nosso lugar (como já fazem).

O que vai mudar é de que lado você vai estar.

A área de TI nem pensava em existir há poucas décadas. Muito menos era concebível ter um técnico desses à disposição da empresa, como funcionário. Hoje, bem, hoje você sabe a proporção que tomou.

Quantos empregos foram gerados com a tecnologia?

E quantos mais estão sendo gerados neste momento e serão mais ainda?

As pessoas serão pagas para pensar. E não só logicamente, porque isso a máquina vai fazer até certo nível (e se falarmos de acúmulo de dados, melhor que a gente). As pessoas vão trabalhar com percepção, sensibilidade, interação. Vão ser usadas para terem ideias, para trazerem mudanças, olharem além do que pode ser visto. Isso a máquina não pode fazer.

A tecnologia não vai parar para manter subempregos. De que lado você vai estar?

Deixe sua opinião ou comentário. Se gostou, tem mais textos (www.nishiura.com.br)! Se tem dúvidas ou quer sugerir um tema, também pode me falar: coach@nishiura.com.br