17 de janeiro de 2017 Viviane Nishiura

A má gestão que se sustenta

É o que mais existe. Por mais que a gente veja cursos, tendências, ensinamentos, mudanças na forma de pensar e agir, empresas modernas, esquemas de gestão sem chefia e um monte de material e exemplos reais de que a gestão moderna é participativa e colaborativa, nada disso é prática na maioria das empresas.

Mudar, mudou. Minha área, por exemplo, foi alavancada com estes novos pensamentos. Quando me formei, RH era só em empresa grande, geralmente multinacional. Em empresas médias e nacionais, era visto como perfumaria. Hoje a importância do RH cresceu de tal forma que virou curso superior. Nos últimos 20 anos, empresas contrataram RHs e englobaram aos DPs (algumas mantiveram separados) em busca de funcionários mais comprometidos, motivados e bem selecionados.

As razões porque a teoria não bate com a prática dá um livro. Nem entro muito nesta parte e acho que um dos motivos é que a mudança acontece aos poucos, e estamos bem no meio dela. Então falta alinhar muita coisa, mas estamos todos tentando.

O que me assusta é ver quantas empresas ainda abrigam líderes sem condição alguma de nada, e os acham ótimos porque não dão prejuízo, porque fazem a produção sair, porque tem baixo turn over, porque já conhecem bem a empresa. Você, como dono, teria o que pra reclamar de um sujeito desses?

Ele funciona… A maneira como ele faz, não importa ao empresário (ou à maioria deles). Esse líder tosco ENTREGA. Ou, mais comum ainda, e desejo de ouro de qualquer diretor ou dono de empresa: não dá problema. Pode não dar soluções, inovações, melhoras. Pode estar parado no tempo, há 30 anos, pode não saber nem o que é turn over. Pode nunca ter sido treinado (pra que, se ele não dá trabalho?), pode achar que motivação é um monte de frescura que se resume em dinheiro. Ou não?

Mas ele mantém um nível aceitável de entrega. E se o empresário ou o chefe dele também pouco souber (ou se importar) sobre estilo de gestão, qualidade de vida no trabalho, e tudo o mais que a gente estuda, ele tem não só carta branca, mas o aval para agir como quiser. O ponto é que ninguém sabe quanto pagam os funcionários deste gestor para manter os resultados. Quanto custa a eles suportar chefes tacanhos, tiranos, egocêntricos, fofoqueiros, limitados.

Entenda aqui porque o turn over é baixo: https://www.linkedin.com/pulse/doen%C3%A7a-loteria-e-turnover-situa%C3%A7%C3%B5es-diferentes-um-padr%C3%A3o-nishiura

Na verdade, o ponto é que muitas empresas não gostam de mudar, não querem nem tecnologia que envolva adaptação e treinamento! Seguindo este mesmo raciocínio, elas não querem outro tipo de gestor, não acreditam em produtividade, em clima organizacional, em assédio moral. E se sentem acima da lei em muitos casos.

Ou seja, a má gestão funciona, sim. Pode não ser boa para empresas melhores, pode não se encaixar em empresas modernas ou nas que querem crescer (ou mesmo sobreviver num mundo como o de hoje). Mas muitas têm vantagem de mercado, tradição ou tipo de produto que ainda suporta o atraso de sua organização. Se você procura emprego, torço para que não caia nessa (conto com sua sorte porque o desemprego é cruel e você não vai, e nem deve, recusar propostas). Se está em uma dessas, só um conselho: guarde dinheiro. Vai chegar o momento em que você vai querer mais do que o salário pago em dia.

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